25 de Abril


25 Abril 1974Homenagem a todos que possibilitaram que eu e muitos outros possam escrever aquilo que nos apetece, e outros ler o quer que seja.

Obrigado.

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Assalto – A reflexão


Como ponto final deste episódio fica só a minha reflexão, curta para não massacrar.
O que me custa mais é o acto e os seus princípios. Não é o valor material dos objectos, sentimental isso sim, conquanto que ele, o dinheiro, não traz felicidade, mas que ajuda ajuda.
Quem me conhece sabe que ajudo quando posso e quando não posso. Muito dificilmente dou como resposta não a um pedido de ajuda.
Mas o que não consigo deixar mesmo de pensar é no outro lado do acto.
Não é esta a, ou uma, das mais pequenas sementes das guerras de ontem, hoje e sempre: retirar a alguém algo que por natureza lhe pertence?

Ok. Case closed.

Assalto – A Esquadra da Polícia Portuguesa


Após o abalo e cumpridas as obrigações profissionais, dirigi-me à Esquadra da Polícia para contribuir para as estatísticas.
Rua de Cedofeita, edifício degradado e inóspito, convida a fuga, a polícias e ladrões. À chegada e sobre o assunto sou encaminhado para o único lugar para apresentar a queixa (fosse ela de qualquer natureza). Perante todo aquele cenário hesitei e dialoguei ainda sobre a utilidade do meu testemunho. Bem, para ficar de consciência tranquila prossegui. Infelizmente habituado a estas lides, auxilei (só não escrevi 😉 a execução do auto. Já bem perto do fim…pufs…luz abaixo! Não sabia se havia de rir ou chorar. Não têm qualquer sistema de protecção (UPS), mas o agente mostra-se confiante que aquilo ficou gravado. Só ele mesmo é que acreditava, pois os colegas riam-se. Já prestes a ir embora e acordado novo encontro, regressa a corrente. Reiniciam os computadores (?) e olho para o ecrã do seu companheiro: SO-Windows 95!
Bem, o certo é que não perdeu uma única palavra!
Mas, e não é de hoje, que defendo condições para os agentes de segurança.
Quanto ganham? Se fossem em perseguição e dessem cabo da farda ou doutro tipo de material, quem paga? Os próprios?!?! As instalações são adequadas? A sua formação é adequada? Têm alguma associação que os «protega» em caso de dúvida de actuação em semelhança com ordens dos médicos, advogados, etc, etc? É bom não esquecer que a sociedade tem tanto de justo como de injusto. Se apanham criminosos e «aquecem-lhes o lombo» são acusados de abusos e de maus tratos para com seres humanos e todos, sem excepção, atiram-se a eles, sobretudo os orgão de comunicação social. Também concordo que há muitos desequilíbrios, mas, meus senhores, decidam-se!
De qualquer forma, uma Esquadra Portuguesa, com certeza!

Assalto – o relato.


Não ficou para amanhã, mas ficou para a semana.Aqui fica então um relato do que se passou.
16:35h.
Em passo apressado, pois tinha pouco tempo para todas as tarefas que me tinha proposto, desloco-me para a antiga empresa onde trabalhei. Vezes sem conta aquele caminho foi percorrido e tal seria o último local onde imaginava que pudesse (de novo) acontecer tal situação.
Ao dobrar a esquina, subo quatro degraus, olho para três individuos e pressenti o que me esperava. Os pensamento percorrem-me à velocidade da luz, e não consigo ter reacção. Cercado pelos três, sem hipótese de fuga, perplexo pelo que estava a acontecer, tentava raciocinar e ganhar tempo. Pedem-me o telemóvel, dinheiro, e eu executo os pedidos sem perceber o que estava a fazer. Enquanto as pessoas passavam, e sob constante ameaça física, pedi para retirar o cartão do telemóvel para poder ficar com os números. A estupidez é uma constante, os números estão todos na memória do telefone e não no cartão SIM. Ainda assim, era uma tentativa de ganhar tempo e ver se alguém se apercebia e dava uma ajuda. Nada.
Com idades entre os 16 e 22 anos, pareciam estar mais nervosos que eu. Incomodados com a demora, pressionavam para me apressar (deviam ter mais clientes para atender naquele dia) e eu continuava com gestos irreflectidos. Abri a bolsa lateral da pasta de transporte do portátil (que não levava) para tirar a carteira e tentar «comprar» a minha liberdade. Além da carteira tinha a caixa com os óculos. Como abutres esfomeados em volta de carcaças, as mãos tiram tudo o que lá está. De repente, fiquei sem carteira, telemóvel e nem me apercebi que mais tinha sido.
Carros circulam e pessoas passam, mas nada…
Nestas alturas, pensa-se na «melhor» perda possível. É como ir de carro, ver que se vai bater e escolher o local de embate por forma a amenizar os danos. Se me tivessem deixado a carteira e levado «só» o dinheiro e telemóvel, creio que não teria mais reacção. Mas não, foi tudo. Os pensamentos em catadupa surgiam (anular cartão de telemóvel, cartões de banco, carta de condução, documentos do carro, BI, etc, etc) deixaram-me em pânico e levaram-me a desatar a correr atrás dos fulanos, sobretudo o que tinha a carteira. Era o «preto». Não é comentário racista, mas foi o pensamento: tenho de chegar até ele.
Começou então a perseguição. Pelo caminho gritava para deixar a carteira. As pessoas olhavam, mas nada. Do Largo da Paz seguimos para Júlio Dinis e os três separaram-se. Fixei o alvo e continuei a correr. Nestas alturas agimos muito por instinto e não pensamos sequer no que estámos a fazer e os perigos que, eventualmente, nos abeiramos. Descemos e ele vira na primeira à esquerda. Rua com menos movimento, mas nem por isso deserta. Contínuo a gritar para deixar a carteira! Já a chegar à Rua da Torrinha perto de uma escola (?) atira-a finalmente para o chão. Apanho, mas não sei porquê continuo atrás dele. Ele deslocava-se agora a passo. Pensou que eu tinha desistido. Aos meus novos berros retoma a corrida.
As palavras são agora para deixar o telemóvel (cheguei aquela fase em que compro o meu telemóvel que alguém me roubou). As pessoas continuam a olhar…
No entanto ele já dava sinais de cansaço. Chegamos novamente a Júlio Dinis e atravessamos em frente aos Edifícios Mota Galiza. Não sei como ainda olhei para os dois lados para ver se não tinha de pagar algum arranjo de carro a alguém. Ao chegar ao relvado, parou.
Pedi-lhe para me dar o telemóvel. Perguntei-lhe quanto queria por ele. Respondeu-me: 100 euros (não sei se já tinha IVA). Disse-lhe que não tinha mas que ia com ele levantar dinheiro (realmente as informações que transportamos valem dinheiro). Insistiu que teria dinheiro comigo. Abri a minha carteira, a mesma que ele tinha esvaziado, e retorqui que não tinha pois ” tu roubaste-me tudo!” . Meti a mão ao bolso e tirei o troco do almoço-5 euros (tinha poupado na ementa). Dirigiu-se para mim pegou na nota e atirou-me o telemóvel.
Cansado, melhor, exausto, e sem perceber o que se tinha passado fazia agora o trajecto inverso.
Agora sim, as pessoas perguntavam se eu os tinha apanhado.
Excepção foi para alguém que se apercebeu de tudo dentro do seu carro e tentou seguir os acontecimentos. Agora em conversa, diz-me que ao deixar de nos ver pensou que algum polícia nos tinha apanhado. Incrédulo com o que tinha testemunhado, confessava-me que os míudos dele já tinham sido assaltados cinco vezes! O resto dos comentários sobre o estado da nação não posso aqui reproduzir…
Entretanto, reparo que na confusão, outro tinha levado os óculos.

Não sou hipócrita, desejei-lhes o pior.

Ninguém diga que está bem…


Dá quase vontade para dizer para esquecerem o último post!
Só para dizer que hoje fui assaltado em pleno centro do Porto, por 3 rúfias, com muita gente a passar mas sem ninguém deitar a mão. Depois de uma perseguição, por minha conta e risco, entre ruelas e Júlio Dinis, quase perto do Palácio do Cristal, frente aos edifícios Mota-galiza, consegui reaver a carteira e o telemóvel. O prejuízo saldou-se nuns 35€ e nuns óculos bastante mais caros.
Fica para amanhã, a crónica e a reflexão.
Entretanto a citação aqui é:
…que pariu!

Velas ao vento


Aproveitando ventos de feição, raros nos últimos tempos, levantei âncoras e velas, e zarpei!
Ainda sem saber bem se é para bom porto, há optimismo!
Tal, tem-me retirado algum tempo para aqui debitar palavras. Aos fiéis leitores peço desculpa pela minha ausência.
Mas, como se diz, prometo ser breve.

Paixão


Quando se fala de algo porque nutrimos este sentimento, não nos interessa muito o que os outros pensam…
Digo isto, porque, com ou sem aptidão literária para passar para o «papel», é difícil esconder a paixão por este desporto…
Também já sei que muitos estarão a dizer:” Por isso é que ele se insurge tanto contra as multas de excesso de velocidade e o cumprimento dos limites,etc,etc!”
Não, não sou um louco da e na estrada. Gosto de velocidade? Gosto.
Como vos posso expressar esta paixão?
Houve alguém que tentou desta forma:

Rallying is an incomprehensible sport with a mass appeal. Its essence, driving down a road – any road – at full speed can be appreciated by anyone, but it is a mystery as well as an adventure, too big to be accomodated within a stadium or a television screen. Few sports can boast such huge variety, for rallies take place on almost every continent and in almost any conditions, in densely populated European countries and in some of the most remote and inhospitable regions on earth.

Reinhard Klein – Rally Cars